Quem tem medo da tecnologia?

Muitos podem não admitir ou mesmo reconhecer que tem medo. Quando questionados, dizem que não tem interesse. O que também é uma resposta válida.
Mas será mesmo que não tem interesse? Ou será que é medo do desconhecido? Ou talvez um sentimento de que é complicado demais e é coisa pros mais mais jovens?
Nisso me vem à cabeça a fábula de Esopo sobre a Raposa e as Uvas que tem como moral “É fácil desprezar aquilo que não se pode obter”. 

No outro dia eu estava almoçando com uma amiga que me deu essa reposta quando perguntei porque ela se dizia uma “analfabeta digital”. Na verdade ela não é, mas só usa o mínimo necessário, argumentando que não tem interesse em saber mais.
E logo em seguida começou a me contar seus problemas com a impressora que engoliu o papel e mesmo depois que ela achou que tinha resolvido, a impressora continuava mostrando uma mensagem de erro enigmática. Desesperada, telefonou para o marido que deu a dica de que havia uma portinha atrás da impressora e que provavelmente uma folha de papel tinha ficado presa ali trás. Dito e feito! Era isso mesmo. Lá estava a folha de papel toda amassada como uma sanfona.

Apesar do fato de que para usufruirmos da tecnologia precisamos de máquinas, ninguém precisa se tornar um especialista.

Antigamente, geladeiras eram coisas simples. Ligava-se na tomada, ajustava-se a temperatura (às vezes) e pronto! Agora elas vêm com um monte de controles para gelar latinhas, fazer gelo mais rápido, etc. E ninguém pensa em abdicar dessas comodidades porque a geladeira ficou mais complicada ou que tem mais peças que podem dar defeito. E as máquinas de lavar, então, com um monte de botões e programas de lavagem? Quanto mais melhor, certo? Isso também é tecnologia.

O mesmo deve-se aplicar a computadores e à internet. Para obter os benefícios disponíveis na internet precisamos de computadores, tablets ou smartphones. São máquinas que eventualmente podem falhar e daí precisaremos de técnicos, especialistas ou pessoas mais experientes que nós. Mas isso não quer dizer devemos nos sentir intimidados e nos excluir do mundo digital achando que “é tudo muito complicado e eu não preciso disso”.

Voltando à minha amiga da impressora.  Sabendo que ela utiliza o computador no trabalho e produz muitos arquivos perguntei “Você tem cópia dos seus arquivos?”. “Ah, sim, eu faço cópia no meu pen drive! Olha ele aqui!” disse ela, tirando-o da bolsa.
E eu “Você sabia que pen-drives também podem pifar?”. E ela “Estou pensando em comprar um daqueles maiores”.
Daí usei a minha carta na manga! “Você já ouviu falar da nuvem? Sabe que pode ter uma cópia de todos os seus arquivos na internet sem se preocupar com pen-drives? E eles estarão disponíveis a partir de qualquer computador, em casa, no trabalho…” Ao que ela replicou “Ah, isso me interessa! Como eu faço para ter isso?”.

Para quem nunca se interessou por computadores o mundo digital pode parecer assustador, complicado e sem utilidade. Mas ele não se disseminou somente para os especialistas e entusiastas. Milhões de pessoas leigas descobriram coisas úteis e interessantes que podem fazer com eles. Seja utilizar a internet para ter uma cópia de segurança dos arquivos, criar álbuns digitais de fotos antigas da família que só existiam em papel e compartilhar com tios e primos que estão do outro lado do mundo ou  encontrar e trocar ideias sobre um ponto de crochê ou bordado com pessoas que ainda não conhecemos, por exemplo.

Além de todas as outras coisas do dia a dia que estão cada vez mais integradas ao mundo digital.
Quer assistir ao filme que estreou nesse fim de semana mas não quer ficar horas na fila do cinema? Compra pela internet.
Quer verificar as opções de rota para chegar a um lugar que não conhece? Pesquisa na internet.
Quer aproveitar passagens de avião mais baratas? Internet.
Quer ver obras de arte expostas nos maiores museus do mundo mas não tem dinheiro para viajar para esses lugares? Conheça o Google Art Project. Na internet, é óbvio.

Provavelmente, em menos de 5 anos a nossa vida vai estar verdadeiramente tomada pela tecnologia e quem não souber se virar vai ficar dependente de outras pessoas.
Imagine chegar numa estação de metro e não ter uma bilheteria para comprar a passagem. Apenas terminais de auto-atendimento.
Ou entrar no supermercado, pegar um carrinho que automaticamente já vai computando todos os produtos que você coloca e efetua o débito no cartão ao final da compra.
Ou chegar num restaurante, receber um tablet ao invés do cardápio, selecionar o seu prato, acompanhamentos, bebidas e só ver o garçom quando ele trouxer a comida. E ao final da refeição, efetuar o pagamento sem precisar ficar acenando para o garçom “trazer a continha”. E se você gostar do local ou não, já pode ali mesmo no tablet dar a sua opinião.

Quanto mais demoramos para nos adaptar mais difícil vai ficando. Somos criaturas de hábitos e quanto mais velhos, mais difícil é mudar. Por outro lado, quanto mais utilizamos recursos tecnológicos, mais fácil é se adaptar.
Se você não conhece a fábula da Raposa e as Uvas, a wikipedia está aí para ajudar. Clique aqui se quiser conhecer ou relembrar.
Se você se interessa por obras de arte, neste link você pode ver algumas das obras do MoMA, no Google Art Project.

Anúncios

Dê sua opinião

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s