Vencendo Barreiras para o Mundo Digital

Quando os primeiros telefones foram instalados nas residências das famílias mais abastadas a primeira reação foi de medo e estranheza, tanto entre os patrões com entre os criados. Mas como perceberam que não era difícil utilizá-lo e os benefícios eram grandes ele logo ganhou aceitação. Pela primeira vez era possível estabelecer uma conexão real e imediata entre pessoas que não estavam num mesmo cômodo.

Alguns anos depois outro aparelho surgiu nas residências, o rádio, trazendo notícias, músicas, peças de teatro sem que fosse necessário sair de casa. Não era difícil aprender a utiliza-lo. Bastava girar um botão. E em pouco tempo a conexão com o mundo exterior foi expandida.

Passaram-se mais alguns anos e foi a vez da televisão, colocando imagens onde antes só havia som. E os anunciantes que bancavam os programas de radio viram uma grande oportunidade pois agora podiam apelar não apenas para o senso auditivo como também para o visual. E o dinheiro que investiram gerou uma série de novos programas dos mais variados tipos e mais uma vez a conexão foi expandida. Também não era difícil assistir a televisão. Assim como com o rádio, bastava girar um botão para trocar de canal e desfrutar do programa preferido.

Algumas décadas depois foi a vez do videocassete invadir as residências, trazendo o cinema. Agora não era mais necessário esperar uma reprise do filme favorito no cinema. Bastava alugá-lo numa videolocadora. Também não era difícil aprender a utilizar o videocassete. Era só empurrar a fita de vídeo por uma abertura, apertar o botão de “play” e pronto, cinema em casa. e mais uma vez a conexão com o mundo foi ampliada. Mas o videocassete trazia um beneficio a mais. Era possível gravar os programas que passavam na TV para assisti-los mais tarde. Não havia mais necessidade de adiar uma visita aos amigos por causa da novela. Mas programar o videocassete não era uma tarefa simples. E a grande maioria ignorou este benefício. Já era costume adiar outros afazeres para depois do programa favorito e o videocassete se instalou nas residências apenas como uma alternativa ao cinema.

No inicio do século XXI a internet se popularizou oferecendo infinitas novas possibilidades de conexão com o mundo. Ela incorpora o telefone, o radio, a tv, o videocassete e muito mais. Ela oferece comunicação com amigos próximos e distantes, notícias, músicas, filmes, notícias, viagens virtuais, visitas a museus, conteúdo enciclopédico na ponta dos dedos. Mas para ter acesso a tudo isso é preciso antes de mais nada aprender a utilizar o computador, lidar com navegadores (browsers) e outros programas (softwares) que um dia já foram tão complicados que o seu uso era limitado aos profissionais. Mas que, com o tempo foram sendo adaptados para permitir que todos possam utilizá-los.

A internet também invadiu o mundo dos negócios e grande parte da população economicamente ativa foi obrigada a aprender a utilizar o computador e os principais meios de acesso a internet. Crianças e jovens logo perceberam os benefícios e se tornaram os usuários mais assíduos dos computadores domésticos.

O mundo está caminhando para o meio digital, seja nos computadores ou tablets, smartphones, terminais de acesso eletrônico nos bancos e postos de atendimento. As televisões que eram aparelhos simples se tornaram complicados com diversas opções de acesso e escolha de programação impulsionados pela tv a cabo que também se beneficia da evolução da internet. A própria programação da tv não é mais restrita a apenas exibir programas. Cada programa possui seu próprio site na internet fornecendo conteúdos complementares e incentivando os telespectadores a interagir e participar.

Mas em toda essa evolução ou revolução digital uma parcela da população ficou excluída. São aqueles que não aprenderam a utilizar o computador. Alguns não o fizeram porque não tinham necessidade. Outros porque tiveram medo, assim como nossos antepassados tiveram medo dos primeiros telefones. Outros, como muitos, sentem resistência a mudanças. Afirmam que não tem necessidade mas como podem fazer tal afirmação se desconhecem esse mundo digital?

E se hoje ainda é possível se manter à margem e ignorar a internet, em muito pouco tempo não será mais possível. Até quando as editoras publicarão o jornal em papel? Os bancos já pressionam para que se troque o extrato mensal enviado pelo correio pelo arquivo digital. Estações de metro nas grandes cidades européias não possuem mais bilheterias. O bilhete é vendido em terminais de auto-atendimento. Cada vez mais o nosso mundo é mesclado com o digital e é necessário aprender a lidar com os aparelhos que dão acesso a esse mundo. Caso contrário, veremos uma nova versão do filme Central do Brasil, onde os “analfabetos digitais” precisarão da ajuda da Fernanda Montenegro para se comunicar.

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