Você acredita em tudo que lê na internet?

Hoje, eu quis fazer um comentário sobre o video que uma amiga postou no Facebook utilizando uma citação que já li centenas de vezes. Mas como a minha memória é ruim e não gosto de escrever besteira, fui procurar o texto correto na internet. Encontrei algumas variações mas a que mais se aproximava do que eu tinha guardado na memória é essa “E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música.”.

Você também já deve ter lido por aí e se a sua memória for um pouco melhor do que a minha pode até completar. “Ah, sim! É do Nietzche!”

Mas será que é mesmo? Encontrei a frase na Wikipedia em Portugues  mas sem nenhuma referência a qual dos trabalhos pertence. Como não conheço o trabalho de Friedrich Nietzsche, continuei na dúvida. Procurei no site http://pt.wikiquote.org e não encontrei a tal citação, mesmo na seção de Atribuídas que não lista as fontes. Não estava lá. Mesmo assim usei a citação  no comentário porque a frase cabia perfeitamente. Acrescentei a frase “Dizem ser do Nietsche” porque não quis contribuir ainda mais para um possível erro, mesmo sabendo que isso não afetaria em nada a fama da citação.

Existem pela internet centenas ou milhares de textos apócrifos atribuídos ao Luis Fernando Veríssimo e ao Arnaldo Jabor. Até já virou piada e eles frequentemente mencionam o fato dizendo que muitas vezes nem se preocupam mais em tentar negar a autoria. Do jeito que são as coisas na internet onde um texto ou vídeo pode se propagar indefinidamente e atingir milhões de pessoas, o falso acaba virando verdadeiro pela repetição.

Na semana passada, recebi um email com uma história que aconteceu durante um discurso na ONU. Era muito interessante e espirituosa e tinha até fotografias. Mas não era verdade.

E os e-mails que recebemos com palavras como ALERTA, URGENTE, DIVULGUEM contendo histórias escabrosas? A maioria não é verdade.

Hoje em dia todo mundo já deve ter ouvido falar do golpe do príncipe nigeriano mas assim que surgiu deve ter pego muita gente achando que ganharia um dinheiro fácil.

No ano passado, recebi um e-mail com uma história assustadora de pessoas que morreram porque foram picadas pela aranha Telamonia Dimidiata no vaso sanitário! Estava muito bem escrito, como se fosse uma matéria de verdade. Mas era uma farsa e, segundo este artigo que desmente a história, está rolando pela internet desde 1999.

Muitas dessas histórias começam como uma brincadeira que depois vai sendo modificada e acaba parecendo um alerta de verdade.

Mensagens desse tipo vivem dando a volta ao mundo cibernético. Há algum tempo recebi uma de um virus que era um hoax com o nome de “portugues idiota”.

Há alguns meses foi uma no facebook sobre um deputado que queria tornar a corrupção inimputável.

Existem vários sites na internet que publicam artigos desmascarando essas farsas.  E daí você provavelmente vai perguntar: “E podemos acreditar nesses sites”? Fica por conta e risco de cada um.

Quando a coisa parece muito absurda, normalmente é hoaxEsse artigo na Wikipedia explica o termo e dá mais alguns exemplos.

E agora, para complicar ainda mais, surgiram os jornais eletrônicos de notícias falsas. Acho que o primeiro deles foi o Sensacionalista, mas não posso afirmar com certeza. Parece um jornal de verdade mas quem presta atenção pode ver ao lado do título a frase “um jornal isento de verdade” que tem um sentido dúbio como o próprio site. E todas as notícias publicadas, sem exceção são falsas, mas com o intuito de divertir, não de enganar. Acho que a mais famosa até o momento é do casal de São Paulo que deu o nome de Facebookson ao primeiro filho em homenagem à rede social onde se conheceram. Tinha até foto do casal com o bebê. As notícias são escritas de forma a parecem que são verdade e quem não presta atenção que vem de um desses jornais, acredita e divulga como sendo verdade. Dependendo do teor da notícia, pode gerar comentários inflamados dos mais desatentos. E é essa a brincadeira, fazer com o máximo de pessoas acesse o site portanto quanto mais sensacionalista a notícia, melhor. Outros veículos do mesmo gênero são o G17 (sem compromisso com a verdade) e o The i-Piaui Herald, dos que eu conheço mas sei existem vários outros pela internet.

Portanto, quando receber um e-mail ou ler um artigo nas redes sociais que parece verdade mas é meio absurdo, verifique a origem para não passar por bobo ou contribuir ainda mais para a confusão da internet.

Antes de publicar este artigo pedi para uma amiga dar uma olhada e ela disse que nunca tinha ouvido falar do tal golpe nigeriano. Primeiro me espantei, porque para mim isso já tinha virado uma lenda urbana. Em seguida, procurei artigos na internet para mostrar a ela. Qual não foi minha surpresa quando encontrei um artigo da “Isto É” atualizado na data de hoje falando sobre o tal golpe e que ainda existem pessoas que caem.

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6 comentários Adicione o seu

  1. Gilmar Lopes disse:

    Excelente texto. Obrigado por citar o E-farsas. Abração!

  2. Rafael disse:

    E aí, Dona Marisa?! Devo acreditar na senhora ou nao?! hahah Afinal, é um blog de internet, ne?! heheh

    Brincadeiras a parte, esta é uma reflexão bastante interessante. E como vc mesma já percebeu, existem varias outras pessoas, organizações, e até grandes nomes do mundo acadêmico se dedicando a essa discussão.
    Os teóricos com os quais trabalho em minhas pesquisa, por exemplo, diante da dificuldade q todos nós encontramos para verificar a autenticidade da informaçao, optaram por desviar o um pouco o foco da questão e pensar mais nos efeitos desse fenômeno. Talvez seja mais interessante hj pensar no numero de pessoas que passam um enunciado adiante e q ressonâncias isso vai produzir. Da mesma forma, pensar aqueles q tentam denunciar a falsidade do mesmo ou de outros enunciados ajude-nos a compreender q realidade é essa q construimos a cada dia. Uma realidade que acolhe tanto “verdades” qnto “mentiras” desde q estas sejam fortes o suficiente para deixar suas marcas.

    Portanto, apoio-a na decisão de ficarmos atentos!

    Mas confesso que, mesmo q nao possa confirmar a autenticidade de algumas informações, tenho o maior prazer de passá-las adiante qndo acredito em seu potencial de produzir as realidades q quero pra mim! 😉

    1. marisaaverbuch disse:

      Rafael,
      quando se trata de notícias de brincadeira comprovada, como no caso do Sensacionalista e outros, é divertido passar adiante e ver quantos amigos “caem”.

      Já as mensagens falsas de alerta, apenas geram confusão e eventualmente podem prejudicar alguem.

      E os textos apócrifos, então? Você gostaria de ver seu nome associado a um texto que não escreveu? Só se fosse muito bom, né? Mas e se fosse ruim ou ofensivo?

      Mas você levantou um ponto interessante. Quais são os efeitos desse fenômeno? Não sei dizer. Seus colegas já tem alguma conclusão?

      Acho que existe muita gente desatenta ou pouco experiente navegando pela internet que precisa ler textos como esse prá ficar mais esperta.

      Marisa

  3. hamilton disse:

    só falta vc contar como é o tal golpe nigeriano porque eu nem imagino qual seja e detestaria receber o troféu ” milésimo pato “

  4. Hamilton,
    acho que esse artigo explica o tal golpe nigeriano. Mas apesar de ele ter sido condenado, não é o único que aplicou o golpe.
    Além disso, existem muitas variações. Eu mesma já recebi um e-mail com esse golpe há vários anos.

    http://idgnow.uol.com.br/internet/2010/09/03/homem-que-aplicava-golpe-da-nigeria-e-condenado-a-12-anos-de-prisao-nos-eua/

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