Lúcia e a tecnologia

Lúcia está com 70 e poucos anos. Como você vê, não nasceu com a “mão no mouse”, sequer na máquina de escrever. Professora aposentada, preparava as provas e trabalhos para seus alunos no mimeógrafo, escrevendo à mão, com sua bela letra de professora, em uma matriz chamada estêncil.

 

A máquina de escrever entrou em sua casa como presente de aniversário para seu filho, dado pelo avô – uma Olivetti verde, barulhenta e que embolava a fita de vez em quando.Assim, “catando milho”, Lúcia se valeu das vantagens que ela oferecia. Estava satisfeita.

 

Vieram a máquina elétrica, o fax e outras tecnologias, que não chegaram a interferir na vida de Lúcia, e nem encantá-la.

Mas, de repente, quando já era uma senhora, os computadores caseiros surgiram; parafernálias mágicas e fascinantes. Num primeiro momento, ela ficou indiferente a eles. Os netos já mexiam seus dedinhos frenéticos pelas teclas. Tudo bem, eles estavam descobrindo um mundo novo. Não era coisa para Lúcia. Ou era?

Um dia, seu marido resolveu comprar um computador, dizendo que iria facilitar seu trabalho, que era produzir relatórios para clientes. Como um novo componente da paisagem caseira, recebeu lugar de destaque no escritório, com direito a móvel próprio, cadeira confortável, aparelho disso e aquilo, caixa de disquetes – sim, naquela época existiam ainda os disquetes -, impressora, etc.  Pronto, agora a máquina estava ali, na sua casa, fazendo parte da sua vida.

Restava então à Lúcia desvendar esse novo artefato. Se inscreveu num curso de computação. Uma sala com pessoas de diversas idades ávidas e rápidas no aprendizado. Tudo bem, Lúcia aprendeu o suficiente para ligar, desligar, escrever, salvar, mandar imprimir. Estava satisfeita.

Chegou a internet, os e-mails, os buscadores. E agora, Lúcia?

Primeiro com acesso discado e depois com banda larga, lá foi Lúcia. Contando com a ajuda dos filhos e netos, algumas “pedras”  no caminho, do tipo “perdi a barra de ferramentas”, “como guardo meus e-mails”, ou “como digito mesmo um site que quero visitar?”, Lúcia foi se familiarizando com os novos recursos, aprendendo a navegar pelo ciberespaço, salvar favoritos, e hoje já se aventura a comprar pela internet – é claro que prefere fazê-lo com sua filha ao lado, só para garantir. Mas Lúcia ainda não estava satisfeita, queria mais.

Há algum tempo, a seu pedido, sua neta fez um perfil para Lúcia no Facebook. Mas como ela sempre esquecia como entrar, só o fazia com os netos do lado. Passou seu aniversário, vários amigos a cumprimentaram no FB: “ô vó, tem que responder”, disseram. Mas Lúcia ainda se sentia dependente.

Lúcia agora busca sua autonomia tecnológica. Claro, com o telefone do lado, caso precise tirar uma dúvida. Arrisca entrar no seu Facebook, em sites de compras coletivas e passeia por museus e checa as atrações de cidades e países para onde pretende viajar. Ela conta que o computador e a internet facilitaram muito sua vida, se sente participante do mundo, conectada com a modernidade: “O fato de ter mais de 70 anos não invalida experimentarmos coisas novas, vencer desafios. Pelo contrário, não existe coisa melhor para manter nossa cabeça ativa e dar uma sensação de pertencimento. Não existe nada pior do que se sentir ultrapassada, e nem precisamos”, completou.

A história de Lúcia é real, apenas seu nome foi trocado para preservar sua identidade.

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