Celular a serviço das mães

Numa dessas noites de sábado, minha mãe, sem dúvida uma avó preocupada e atenta aos jovens netos, perguntou onde eles iriam. Respondi que estavam em suas “pré”* e que depois iriam, cada um, para uma “night”* diferente. Na mesma hora ela se apavorou. Chamou D´us. Coitado. Como se já não bastasse todas as solicitações mais importantes feitas a ele.

Em meio a preocupação veio a indignação. Chegou a dizer que eu não cuidava dos meus filhos. Que os deixava por ai. Relevei. Coisa de mãe, avó, sei lá. Respondi apenas que estamos sempre em contato pelo celular. Pronto. Resolvido o impasse. A bola estava comigo novamente.

Aí fiquei pensando em como minha mãe se sentia quando eu e meu irmão saíamos nas noites, sem qualquer tipo de comunicação imediata. Minha amiga disse que a dela esperava sentada na sala. No escuro, porque a programação da TV já tinha terminado. Isso a fazia se sentir um pouco culpada por estar privando sua mãe do sono. Outras mães  fingiam estar dormindo. Muitas saíam ligando para a casa dos amigos dos filhos. Às vezes minha mãe descia na portaria de pijama. Era uma vergonha chegar e dar de cara com ela. E olha que naquela época não passávamos das 2h da manhã!

Para mim é ótimo saber que, mesmo por mensagem, posso acompanhar se meus filhos estão bem, se chegaram bem nos locais, e que horas vão voltar. Se mudam de local, mandam uma mensagem. E sempre me acordam para avisar que chegaram. É o trato entre nós.

Tem também o “bendito Foursquare” e a mania de dar check in onde chegam. Fica ali, registrado no perfil deles do celular e do Facebook. Ah, as fotos dos famosos “carregamentos móveis” ou “mobile uploads” também registram tudo para nós.

Se acordo no meio da noite  eles ainda não chegaram, basta um sinal entre nós para nos reconectarmos. Claro, a demora do mesmo é igualmente apavorante! Aí dou uma olhada no Foursquare e nos seus perfis no Facebook. Tem sempre algo por lá que nos mostra que está tudo bem.

É claro que o celular não substitui as orientações que damos, os conselhos para ficarem afastados do perigo, etc. De resto, é confiar na boa educação transmitida, na confiança conquistada e no senso de responsabilidade deles. É deixar que eles vivam sua juventude.

À distância a gente fica torcendo e, com certeza, acompanhando. E você, o que faz quando seus jovens estão vivendo suas vidas?

* Notas de rodapé
– Pré, também chamada de pré-night. Reunião na casa de um dos amigos para beber e já esquentar os motores para a night – que a cada dia começam mais tarde!

– Night. Boates, festas pagas e outros eventos pela cidade. Saem em grupos direto da pré.

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1 comentário Adicione o seu

  1. lilian disse:

    Concordo ….. Realmente nos tranquiliza mto….

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