Conversar por texto. Nem todos sabem como.

Desde que surgiram os primeiros programas de mensagens instantâneas e bate-papo começamos a desenvolver um novo hábito – Conversar por texto.

No início da internet as pessoas costumavam utilizar nomes fictícios e por trás dessa anonimidade se sentiam livres para escrever qualquer coisa.

Não digo que hoje não existam pessoas assim. Existem muitos perfis falsos pela rede. Mas com a evolução da internet e, principalmente, com o surgimento de redes sociais como Facebook e Linkedin, mais pessoas se sentiram compelidas a utilizar sua persona real.

Com as redes sociais o hábito de conversar por texto se intensificou, pois além de conversar com apenas uma pessoa ou um grupo, agora comentamos sobre qualquer coisa que outras pessoas escrevem, fotos, vídeos, desde os assuntos mais insignificantes até os mais controversos. Nem sempre sabemos quem pode ler nossos comentários. Mas mesmo assim, impelidos pelo hábito, pelos comentários dos outros, acabamos dando a nossa opinião também.

Algumas pessoas até preferem essa prática de conversar por texto, sem a imposição de estar fisicamente presente, ter um tempo para pensar e responder ao contrário de uma conversação cara a cara.

Por outro lado, muitas escrevem como se estivessem falando. E é aí que reside o perigo. Uma conversa de verdade não é composta apenas de palavras. Inclui a entonação, expressão, olhar, as vezes, gestos que são impossíveis de traduzir na linguagem escrita corriqueira. (Acabei de tentar imaginar como os italianos conversam pelas redes sociais sem poder gesticular….)

Com amigos mais íntimos é fácil perceber tudo isso por trás das palavras.

Tenho uma amiga que tem um jeito próprio de falar, esticando as palavras, e quase consigo escutar sua voz quando leio suas mensagens pois ela faz questão de escrever do mesmo jeito que fala, multiplicando as letras para enfatizar.

Outra amiga pula de um assunto para outro como macaquinhos em árvores. Quando vou comentar um assunto ela já está falando de outra coisa e acaba virando conversa de maluco. Com ela, prefiro conversar pessoalmente.

Já com outros amigos não tão íntimos  é preciso tomar cuidado com a forma como se escreve. E se estamos fazendo um comentário no post de outra pessoa ou em um grupo onde não conhecemos todos os integrantes, mais cuidado ainda!

Algumas pessoas tem o hábito de escrever em letras maiúsculas e talvez ainda não tenham sido avisadas que isso é o equivalente a GRITAR em mensagens de texto. Pode ser utilizado, mas com propriedade, para não incomodar ou até mesmo ofender quem está lendo.

Existem aqueles que gostam de brincar e ironizar mas isso nem sempre é percebido apenas nas palavras escritas e pode causar mal-entendidos e desconforto para aqueles que não tem senso de humor ou simplesmente não entenderam a piada. Além disso, não é em qualquer lugar que podemos fazer comentários brincalhões.

Faço parte de um grupo no Facebook onde aconteceu um caso desses recentemente. É um grupo de quase 4000 pessoas onde é impossível conhecer a todos pessoalmente. Uma pessoa fez um comentário impróprio que poderia ter sido recebido com risadas se fosse uma conversa de bar. Mas pegou mal no contexto escrito gerando uma série de outros comentários indignados que fizeram com que o tema original da conversa se perdesse. Os administradores do grupo tiveram que intervir para apagar o comentário inadequado e encerrar o assunto.

Sarcasmo, então, é privilégio para poucos. Se algumas pessoas já têm dificuldade em captá-lo na conversa falada, na escrita, então, deve ser utilizado com sabedoria.

Depois de muitos anos de evolução e convívio em sociedade aprendemos a nos comunicar com os outros através da fala e sabemos como nos comportar de acordo com o ambiente em que estamos. Eu sei que isso não é a regra geral mas vamos assumir que sim.

A conversação por texto (não confundir com cartas) é relativamente recente e mesmo na empolgação é preciso pensar antes de escrever pois, ao contrário, da falada que pode ser facilmente esquecida ou esclarecida, a palavra escrita não pode ser apagada tão facilmente.

Aí vai uma dica:  o Facebook tem duas maneiras de auxiliar quem escreveu e se arrependeu ou deixou o dedo escapar e escreveu alguma besteira.

A primeira é antiga, mas talvez nem todos conheçam. Se você escreveu  ou publicou uma foto ou vídeo e se arrependeu, passe o mouse no canto superior direito do post até aparecer uma setinha para baixo. Clique na setinha e você terá a opção de excluir.

A segunda opção é recente. Antes você só podia excluir um comentário. Agora também pode editá-lo. Basta passar o mouse no canto superior esquerdo e selecionar a opção desejada.

Infelizmente, essas opções ainda não estão disponíveis para celular onde o corretor ortográfico as vezes nos faz passar vergonha.

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4 comentários Adicione o seu

  1. lilian disse:

    adorei e a carapuça me vestiu muito bem .. faltou um item: está acontecendo comigo essa semana… O celular sempre foi meu telefone com a finalidade de ligar e receber chamada; até receber semana passada uma carta da operadora dizendo que eu teria pontos suficientes para trocar por um aparelho bacana, com todos os aplicativos modernos etc..
    Bem, como o meu já tinha teclas que não funcionavam resolvi aceitar… de graça!!!! O belo aparelho chegou…
    E agora???? Aonde está o tempo pra sentar e ler o manual? Me sinto em frente a um OVNI mas… sobreviverei, qualquer coisa terei a nossa Marisa e GRITAR S.O.S…..

    1. Não tinha carapuça nenhuma, Lilian, Mas quem é ativo nas redes sociais, de uma forma ou outra, deve se identificar com o texto.

      O seu celular já é assunto para outro artigo. Obrigada pela dica!

  2. Claudio Voloch disse:

    O problema não está em quem escreve… Mas sim o momento que o leitor o interpreta: Está num dia bom, então ele ri do comentário… Está num dia triste, fica ofendido… Está num dia péssimo, responde como se fosse “O cara” tentando devolver a ” OFENSA”… Que na verdade não era nada disso!!!
    O que ocorreu neste “tal grupo”, foi que outro amigo, do amigo que respondeu, fez uma brincadeira particular e esqueceu que os outros estavam lendo e acharam que era com eles… Pronto está feita a “Merda”…
    Cabe ao brincalhão se desculpar e nunca mais se dirigir ao tal DR. PSICANALISTA… Hahahahaha!! Mais uma carapuça assumida… Hahahaha!!!

    1. Não é bem assim. Com certeza, interpretamos o que lemos de acordo com nosso estado de espírito. Mas quem escreve tem que ter em mente onde está escrevendo e se não vai ofender os outros.
      Você bem sabe que mesmo em um grupo de amigos os ânimos as vezes se exaltam por causa de algum texto mal-compreendido. Já passamos por isso várias vezes.

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