Público X Privado

paparazi
No segundo programa “Na Moral”, Pedro Bial falou sobre privacidade e disse que antes as pessoas trancavam seus diários. Hoje elas compartilham tudo no que ele chamou de “Big Blog Planetário”.

Fotos, filmes caseiros, convicções, amizades, inimizades, pensamentos mais íntimos. Nada mais pertence ao velho diário guardado a sete chaves. Blogs e redes sociais se abrem para quem quiser ver, curtir, comentar e replicar.

Hoje basta um celular na mão e nos tornamos estrelas na grande rede. Ou até mesmo repórteres de um grande acontecimento. É o admirável mundo compartilhado e colaborativo. Nada mais escapa das frenéticas maquininhas!

Cenas caseiras de pessoas que nem sequer conhecemos ganham milhões de acesso no youtube. Lembra dos gêmeos e da formiguinha? Quem é essa família, onde mora, como vive? Como é mesmo o nome dos gêmeos? Esqueci. Jamais saberemos ao certo sobre eles. Apenas entramos em um momento de sua intimidade familiar. Depois passa. Seguimos nossa vida.

O que mudou no nosso comportamento? Vivemos num momento de valorização da liberdade de expressão em todos os sentidos? Ou banalizamos nossos momentos ao torná-los públicos? Compartilhar pode ser uma exposição desnecessária? Ou uma forma de sair do isolamento social?

E ai, dentro dessa mesma discussão, Bial debateu sobre a “falta de privacidade dos artistas”. Um debate acirrado entre um paparazzi e o radical Pedro Cardoso, colocou em pauta o direito à vida privada das estrelas globais. De um lado, Cardoso defendeu que sua classe era formada de pessoas comuns, que desejam viver uma vida de cidadão como outro qualquer, condenando a frenética busca comercial por fotos e flagrantes de suas vidas.

Talvez o que as pessoas queiram ver seja exatamente isso. O clique surpreendendo um artista no momento em que ele é mais próximo de nós: fazendo supermercado, pingando suor pelas praias, levando um filho ao colégio, votando no seu candidato a prefeito da cidade. Existe um fascínio pela fama, mas nos alimentamos também por constatar que eles são de carne e osso e estão ali, fazendo as mesmas coisas que fazemos. Quem não quer ser estampado na capa da revista Caras, lotando os salões de cabeleireiro e consultórios médicos?

Quando estive em Goiânia visitando meu pai, todos me perguntavam se eu encontrava com os artistas na rua, e como era. Me pareceu bobo e engraçado. Aqui no Rio nem ligamos mais para isso. Ás vezes nem reconheço quando estou perto de um deles. Mas, imagina só para quem não mora no eixo Rio-São Paulo e, de repente, dá de cara com a Danielle Winits ou Adriane Galisteu no Baixo Bebê?

Agora, o engraçado é que a família do Orlando Morais e da Glória Pires são de Goiânia, e eles sempre estão por lá. Ai perguntei como era, e meu pai disse que normal, eles já estavam acostumados com os artistas por lá, como pessoas comuns. Então, nós aqui também!

Mas voltando a questão da privacidade dos artistas, afinal de contas, quem escolhe ser uma personalidade pública já não assinou implicitamente um contrato de exposição? Não é a mídia que garante sua popularidade e, portanto, seu sucesso e as novas escalações para produções? Como fica essa questão? Um artista que não aparece na mídia é engolido pelo ostracismo e desaparece do nosso foco. Somos nós que compramos as revistas, acessamos seus blogs, consumimos os produtos que eles anunciam e contribuímos com a audiência.

E ai temos dois lados de uma mesma moeda: quem vive uma vida privada busca momentos públicos, e quem vive uma vida pública, clama por momentos privados. Existe um meio termo para esta questão? O que você acha?

E que atire a primeira pedra quem não deseja ter seus minutinhos de fama na internet!

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1 comentário Adicione o seu

  1. Hamilton disse:

    Sempre me questiono a respeito da invasão de privacidade. Por mais que uma pessoa seja pública, até onde a mídia pode impedir que essa pessoa desfrute da sua individualidade. Como não recordar o exagero dos paparazzi que culminaram com a trágica morte da Lady Di ? Mutatis mutantis, muitos aplicativos que em primeiro momento nos interessam trazem pré-configurados opções que permitem ao provedor acessar e divulgar informações pessoais. Acho isso uma armadilha de mal gosto e totalmente mal intencionada. É por essas e outras que somos surpreendidos com uma enxurrada de spams, telemarkistas que sabem muita coisa a nosso respeito e temos nossa vida devassada. Sou a favor de leis rigorosas que punam exemplarmente esses abusos. Por outro lado, quem quiser ser macaquinho de circo e ter seus 15 minutos de fama que crie seu filminho no youtube e permita que outros se deliciem… mas isso será decisão pessoal e não uma surpresa podem causar sérios constrangimentos.

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