Experiência quase off-line

Nunca  me considerei uma pessoa dependente da tecnologia. Tenho muitas tarefas diárias que não dependem dela e, nem sempre, tenho disponibilidade para me conectar. Mas sei que a qualquer hora posso entrar na internet, navegar por informações, acessar meus contatos, compartilhar nas redes sociais. etc.

Pelo menos era o que eu achava, até passar uma semana inteira praticamente afastada de tudo isso. “Praticamente” porque, em alguns momentos, fui salva pelo meu celular. Agora, de volta à tecnologia ao alcance das minhas mãos, posso compartilhar com vocês essa experiência e as impressões que extrai dela.

Uma semana. Esse foi o tempo que passei visitando meu pai em Goiânia. Capital. Cidade grande. Moderna. Rica. Eles? De maneira nenhuma vivem longe da tecnologia. Possuem celular, computador, internet, TV de plasma e toda a parafernália que o dinheiro pode comprar.  Mas passam seus dias de maneira simples. Prezam o convívio corpo-a-corpo, a “prosa” solta, os “causos”, a música sertaneja ao vivo. Meu pai não larga de jeito nenhum sua velha máquina de escrever e o que ele mais ama no mundo, além de datilografar  seus pensamentos, é montar seus quebra-cabeças de “zilhões” de pequenas peças, e transformá-los em quadros pendurados pela casa toda.

O computador da casa do meu pai? Estava ali, desligado, quieto, no quarto onde hóspedes, de Minas Gerais e de Brasília, dormiam. A TV de plasma desligada. Silenciosa. Imponente no móvel da sala. Pois é, e eu ali, tão perto e tão longe de tudo. Confesso que cheguei a sonhar que estava acessando o meu Facebook.

Para não dizer que nem cheguei perto da internet, um parente trouxe peixes fisgados por ele e fez questão de mostrar, orgulhoso, uma sequência de fotos da grande pescaria em seu notebook com 3G acoplado. Só. Ponto. O resto foi papo de pescador. Ai não aguentei, pedi o note emprestado e durante uns 20 minutos naveguei deliciosamente.

Ai veio o pior. Todos resolveram ir para a chácara, que fica numa cidadezinha a uns 20 minutos de Goiânia. A primeira coisa que pensei foi “será que tem bom sinal da Claro?”. Imagina só me desconectar totalmente! Bom, a essa altura Já estava até conformada sem computador. Mas sem celular, não iria suportar. Senti que ali estava meu único elo com a vida que deixei no Rio. Com o que poderia estar acontecendo no mundo sem a minha presença ou participação virtual. Parece engraçado, mas algumas vezes me surpreendi sem sinal e quase levei a mão ao coração para detectar meu próprio sinal de vida.

Várias vezes ao dia, principalmente pela manhã e à noite, sentia uma vontade quase insuportável de me conectar. Você pode estar achando que sou viciada  ou dependente da internet, mas não se trata  disso. Tudo na vida é uma questão de hábito. Da mesma forma que muitas pessoas não fazem nada antes de ler o jornal ou ligar a TV naquele programa matinal, para mim,  consultar e-mails, navegar por sites de notícias, tem o mesmo peso. É como se estivéssemos durante um tempo em suspenso (dormindo) e voltássemos a nos comunicar com o mundo.

As crianças corriam, brincavam com brinquedos simples, de plástico e madeira. Todos ficavam o dia inteiro do lado de fora da casa, onde estavam o fogão, a churrasqueira, etc. Realmente, os dias eram de sol gostoso. Só entravam para dormir, quando a noite vinha gélida. Desenferrujei meu jogo de buraco, aprendi as artimanhas do dominó – nem sabia o quanto o danado do jogo era estratégico! Aumentei meu repertório de piadas. Aprendi sobre acampamentos de pesca e caça. Sobre carnes exóticas do mato. Exóticas para nós, da cidade, claro. Comi horrores. Inclusive aquele peixe trazido pelo pescador do notebook, lembra? Nenhuma conversa incluiu tecnologia. Nenhuma foto foi postada no facebook. Ninguém deu check in na chácara – eu bem que tentei, mas o lugar nem foi achado pelo Foursquare. O compartilhado era ali, ao vivo. Apenas isso.

É claro que levei  meu netbook com o cabo para meu celular 3G. Mas nem cheguei a ligá-lo porque que naquele contexto realmente não seria de bom-tom. Poderia parecer que estava me isolando do convívio com a família do meu pai. Afinal de contas seria por pouco tempo. Poderia sobreviver a isso.

Achei um aspecto muito interessante: essas pessoas são sensíveis às modernidades, mas não se curvam a ela. De alguma forma, sabem viver com/sem tecnologia. E ai fica a pergunta. Viver conectado é um vício, uma necessidade, ou apenas uma opção?

E você, já viveu uma experiência off-line? Como se sentiu?

Nota: Imagem ilustrativa emprestada do blog da Poli (http://diario-decidimudar.blogspot.com.br), uma fofa!
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