Já jogou War sozinho?

Ontem fui dormir indignada com uma notícia que vi no Jornal da Globo: já desenvolveram jogos de tabuleiro para computadores e smartphones.

Sou super adepta às novidades tecnológicas e as facilidades que estão sendo levadas para os aparelhos. Mas, francamente não gostei muito dessa notícia.

Uma das coisas que mais gosto de fazer é me reunir com amigos para os chamados jogos coletivos, ou jogos sociais. Percebe os nomes? É isso mesmo, jogos que agregam pessoas, que instigam o convívio e a troca social.

Não há nada mais divertido do que rir das mímicas atrapalhadas que fazemos com “Imagem & Ação”, das disputas pela resposta certa em “Perfil”, dos lálálá esforçados no “Desafino”, dos absurdos inventados e votados em “Academia”. Principalmente quando separamos os grupos em homens X mulheres. O bate boca é divertidíssimo.

Certa vez, em Angra dos Reis, viramos a noite jogando. Nunca vou esquecer a mímica de “Selvagem”. Um amigo apontava para cima (Céu) e mostrava algo comprido entre os dedos (vagem), ou outro apontando para a lata do Leite Glória….Glory of Love – jamais adivinhamos, mas rimos até hoje!

Tudo bem, a geração Y já nasce com a mão no mouse, hiperligada, hiperlinkada. Mas daí trocar a experiência de estar em contato direto com amigos, ali, ao vivo, pelo contato virtual, já é demais!

Ok. Você vai me dizer que existem muitos jogos interativos, onde amigos podem jogar de suas estações, mas e o corpo a corpo? Como fica aquela pizza pedida no meio da jogatina?  O grito de “truco”  bem no meio da madrugada? E um joguinho entre o churrasco e a banana com açúcar e canela?

Particularmente, adoro os jogos do Facebook, sou mesmo viciada em muitos deles. Acho que as novas gerações já nascem com habilidade e uma velocidade de raciocínio muito mais apuradas que a minha geração graças aos jogos interativos. Mas, veja bem, sempre atrás de uma tela. Onde fica a troca?

Os jogos de tabuleiro nos já reuniram gerações de famílias e amigos. O “Banco Imobiliário” (ou Monopólio) existe há mais de 60 anos e é jogado em todo o mundo. Na reportagem mostraram uma moça que administra suas “compras de imóveis”  do jogo online pelo celular, só. Até pode ser interessante e preparar para a vida real, mas, na minha humilde opinião, não tem nada de divertido e interativo aí. Você vai jogando ao longo do tempo, assim, sem emoção, sem surpresas do dadinho rolando.

Me lembro como se fosse hoje. Meu amigo de infância, toda vez que estava perdendo no “War”, espalhava as peças e dizia “acabou o jogo”. Caso para a psicologia trabalhar, os amigos entenderem e ele aprender a ganhar e perder. Esse também é o sentido da vida e dos jogos, o desafio de conviver. Ou seja, viver com.

E você, o que acha? Prefere amigos em torno de um tabuleiro ou uma partida solitária de “War” ou “Detetive”?

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5 comentários Adicione o seu

  1. Leonardo Rota-Rossi disse:

    Olá, Cecília,

    como aficionado e colecionador de jogos de tabuleiro, concordo em termos com a sua indignação.

    Realmente, mídia eletrônica nenhuma, hoje, substitui o prazer de reunir os amigos para jogar ao redor (ou não!) de uma mesa, com a ‘pausa para pizza’, ou a provocação de uma boa partida de “Imagem e Ação”.

    No entanto, a proposta hoje dos jogos de tabuleiro eletrônicos não é necessariamente substituir os jogos ‘analógicos’, mas sim, complementar a experiência. Um dos jogos que mais joguei em casa é um jogo chamado ‘Ticket to Ride’, que também tem versões digitais. É um jogo tão divertido, que já foi jogado tanto em casa, quanto no meio de uma viagem, dentro de um carro, usando o que é chamado de ‘pass-and-play’.

    Parte da diversão se perde, não nego. O colocar das peças, o anotar dos pontos, o comprar das cartas, toda essa experiência tátil não está lá, verdade. Entretanto, a pilhéria, o prazer do decidir a melhor jogada, de jogar ‘só para derrubar o adversário’, esses continuavam lá.

    Claro, em sua maioria, esses jogos também também possuem modos ‘solitários’, em que você joga contra um ‘robô’ com diversos níveis de dificuldade. Nesses casos, o prazer é outro, distinto: é, utilizando regras e mecânicas que você já conhece, ter o prazer de descobrir novas estratégias, novas maneiras de derrotar um ente tecnológico que se propõe melhor que você. Apesar do mecanismo (o jogo) ser o mesmo, o objetivo é outro.

    Apesar de não ser o mesmo prazer, gosto muito das oportunidades de, mesmo à distância, jogar ‘draw something’ com minha filha, quando uma partida de ‘Imagem e Ação’ seria inviável.

    um abraço,
    Leonardo Rossi.

    1. Olá Leonardo,

      Obrigada pela sua contribuição ao artigo. Também adoro todos os tipos de jogos: de tabuleiro, solitários, de duplas, os online. Confesso que quando não tenho parceiro, adoro jogar gamão para internet. Me dá prazer disputar com um desconhecido e ficar armando estratégias para jogar, adivinhando sua reação. Realmente não substitui a interação com amigos, mas é muito bom também.
      O que me preocupa é que as novas gerações não percam essa deliciosa experiência dos consagrados jogos, e saibam dosar as diversas oportunidades de aprender o convívio através deles.

      Grande abraço,

      Cecília Bergman

      1. Leonardo Rota-Rossi disse:

        Oi, Cecília,

        Por incrível que pareça, o mercado global de jogos de tabuleiro nunca esteve tão aquecido quanto nos últimos anos. O número de lançamentos de novos jogos é o maior já visto, e novas iniciativas de publicação surgem pelo mundo todo, inclusive no Brasil.

        E diria, curiosamente, que grande parte desse sucesso se deve à principal inimiga dos jogos tradicionais: a Internet. É nela que se é possível descobrir novidades, que um novo autor com novas idéias pode se aproximar da empresa que o publicará, que o jogador pode descobrir mais sobre esse ou aquele jogo.

        Mas vou parar por aqui, para não ficar desviando o foco do blog. Parabéns a você e a Marisa pelo blog, e vou sempre acompanhando (a maior parte do tempo quietinho).

  2. Claudio Voloch disse:

    Já virei muita noite jogando WAR…

    1. Claudio, eu também, desde que me entendo por gente. Muito bom!
      Grande abraço
      Cecília Bergman

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