1984 = 2012?

Muito se fala sobre privacidade nas redes sociais e na internet em geral.

Existem por aí centenas de artigos orientando como proteger o seu perfil no Facebook, aconselhando a não publicar seus dados pessoais como número de telefone ou endereço em conversas públicas, não compartilhar informações particulares com o público em geral, não criar eventos públicos a menos que este seja o objetivo desejado como uma manifestação, por exemplo.

Lembrei de uma história de uma adolescente que organizou uma festa de aniversário em casa através do Facebook mas não marcou a opção de privacidade. O convite foi sendo divulgado por amigos de amigos de amigos de amigos… Já perceberam, né? A jovem cancelou o evento mas não adiantou. No dia da festa apareceram milhares de desconhecidos e os vizinhos precisaram até chamar a polícia. Que deselegante, não é mesmo?

Porém, mesmo que a gente aprenda e aplique todas as regras de proteção nos perfis das redes sociais, ou até mesmo decida não participar de nenhuma delas, ninguém está imune aos avanços da tecnologia.

A mais nova ameaça à privacidade é a tecnologia de reconhecimento facial. Nem é tão nova assim, mas só agora começa a sair dos laboratórios para aplicações comerciais.

Talvez você já tenha reparado nela no Facebook (sempre ele) quando posta fotos de amigos e aparece um quadradinho em cima do rosto de cada um para ajudar na marcação. Houve uma época em que já apareciam sugestões de nomes de amigos. Sabe como eles fazem isso? Utilizam as nossas fotos para calcular e armazenar nossos dados biométricos.

Na Alemanha existe um processo contra o Facebook. Se condenado, terá que destruir a sua base de dados biométricos dos cidadãos alemães e passar a pedir o consentimento dos usuários para armazenar esses dados.

Já deveria ter feito isso desde o começo, não é mesmo?

E como fica a situação dos cidadãos dos outros países?

Mas não é só isso!

As empresas estão sempre buscando novas formas de conquistar e fidelizar clientes. Uma delas é conceder descontos ou brindes para quem curte páginas ou anúncios nas redes sociais. Porque? Para aumentar a visibilidade, é claro! Quando uma pessoa curte um post, o Facebook divulga a “curtida” para os seus amigos que podem se interessar em conhecer e curtir também e assim gira o mundo virtual.

Pois bem, uma empresa desenvolveu uma tecnologia de reconhecimento facial que utilizando câmeras especiais em estabelecimentos comerciais, identifica o rosto do consumidor, faz o cruzamento com a base de dados do Facebook e realiza o check-in automaticamente. Como recompensa, a pessoa recebe uma notificação no celular concedendo um desconto, por exemplo.

Pelo menos, o usuário precisa autorizar o aplicativo a acessar os seus dados, mas mesmo assim, acho que é o cúmulo do Big Brother! Quantas pessoas será que vão se sujeitar a isso para ganhar algum desconto? Infelizmente, imagino que muitas.

Mas não se preocupe, por enquanto. Esse produto ainda não está no mercado. A empresa está a procura de financiamento para lançá-lo. Se você se interessou em conhecer mais, este é o link para página do produto Facedeals.

Depois de ler essas histórias você deve estar aí indignado pensando coisas como “Que absurdo!” “Como eles podem armazenar meus dados biométricos sem a minha permissão?”

Mas qual seria a nossa reação se essa mesma tecnologia que reconhece os nossos rostos fosse utilizada para fins de marketing porém sem nos identificar?

Lá fora já existem algumas campanhas publicitárias que começam a utilizar a tecnologia de reconhecimento facial para exibir propaganda direcionada.

Anúncios em pontos de ônibus que mostram propaganda diferenciada de acordo com o sexo e/ou idade de quem está olhando para o anúncio.

Câmeras digitais embutidas em espelhos de lojas que podem mostrar como um acessório ficaria na pessoa sem que ela precise experimentá-lo.

Se você está pensando que já viu algo semelhante, é porque provavelmente assistiu Minority Report. Mais especificamente, aquela cena onde o Tom Cruise está andando por um shopping e os anúncios o chamam pelo nome.

 

 

O que mais será que vem por aí?

Nem tudo que já vimos em filmes de ficção científica acaba virando realidade. Algumas coisas, para nossa tristeza, ainda permanecem somente no campo da ficção.

Quem nunca desejou o carro voador do Jorge Jetson ou a governanta-robô Rosinha? Eu já!

Acredito que muitos aprovam a utilização de tecnologias de identificação (impressões digitais, DNA, reconhecimento facial) quando utilizada para capturar criminosos e terroristas. Mas quando essas mesmas tecnologias são usadas para invadir a nossa privacidade a coisa muda de figura.

Como quase toda tecnologia, é possível utilizá-la para o bem ou para o mal. Cabe à sociedade definir os limites para que a famosa história de George Orwell, 1984, não se torne realidade. Para quem não sabe ou não lembra, é daí que vem o termo Big Brother.

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