Hora de Desligar

No mês passado eu e algumas amigas fomos passar um final de semana em Porto Alegre. No domingo era aniversário de uma delas  e resolvemos comemorar em um barzinho que nos haviam recomendado.

Para variar, o sinal das operadoras de celular estava capenga e tentávamos sem sucesso fazer check-in no Facebook e publicar fotos da comemoração.
Eu e outra amiga por usarmos operadoras diferentes continuávamos tentando, com os ouvidos na conversa da mesa e os olhos no celular.
A aniversariante volta e meia checava o seu celular para ler novas mensagens de felicitações.

Até que uma quarta amiga interveio. “Posso fazer uma pergunta? Vocês não vão ficar chateadas?”

“Claro que não!” replicamos imediatamente.

E ela, “Porque vocês não desgrudam dos celulares?”

Olhamos uma pra outra e sorrimos meio divertidas, meio encabuladas. Tentei explicar a situação de uma maneira que me parecia totalmente lógica e justificada.

“Estamos aqui comemorando mas muitas das nossas amigas ficaram no Rio de Janeiro e queremos compartilhar com elas estendendo a comemoração do nosso mundo físico para o virtual.”

“Mas vocês não podem fazer isso depois?” insistiu ela.

“Depois não tem graça.” repliquei. “Aí o momento já passou.”

As outras tentaram contribuir, explicar mas não teve jeito. Como única na mesa não portadora de um smartphone nossa amiga não conseguia entender esse hábito de checar os celulares a cada cinco minutos e nem a necessidade de compartilhar momentos felizes com os amigos ausentes.

O fato é, que sem querer nem perceber, acabamos por exclui-la de uma parte da comemoração real por estarmos imersas na virtual.

Lembrei desse episódio hoje depois de ver o filme abaixo que outra amiga compartilhou no Facebook.

 

Alguns chamam de habito, outros de vício. Muitos nem admitem. Viciado, eu? Que nada! Eu consigo passar duas horas sem checar o celular e não entrar em parafuso!!

Outra amiga conta que sua filha e os amigos decidiram que quando vão a um barzinho ou restaurante os celulares são todos colocados em uma pilha no centro da mesa. O primeiro que sucumbir a tentação e pegar seu celular antes da hora de ir embora paga a conta da mesa.

Os meus filhos não largam seus celulares por nada. Podem esquecer a chave de casa, a carteira. Mas nunca o celular! E o mais irritante é que muitas vezes não atendem quando eu ligo…. Quem é mãe (ou pai) deve me entender.

Apesar da minha defesa do uso do celular no aniversário da minha amiga, acredito que muitas pessoas acabam incorporando o uso do celular ao seus hábitos a ponto de não perceber o mundo em volta.

Se você ainda não viu o filme, volte lá em cima, assista e reflita.

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3 comentários Adicione o seu

  1. Marisa, sensacional! As palavras foram dançando em um ritmo muito gostoso! Super bem escrito e um convite à reflexão. E ao equilíbrio. Muitos alunos não desconectam mas participam mais das discussões do que outros que não estão conectados. E assim a discussão será sempre bem-vinda porque as inovações vão provocar reações até entrarem no status quo da rotina. Acredite, já me habituei ao mundo dos conectados! aGORA NÃO LARGO O MEU IPAD nem na hora de conversar com os meus sogros! rsrsrss

  2. Betty Goft disse:

    Marisa, fiquei arrepiada!! muito bom mesmo!!

  3. Hamilton disse:

    Exatamente assim caminha a humanidade. Muitas vezes precisamos desligar essas geringonças e abraçar quem está ao nosso lado.

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