A gente nem percebeu e o futuro já chegou

Você se lembra de como era a vida sem celular? Sem WhatsApp? Sem Facebook?

Você se lembra de como era pagar o supermercado somente com dinheiro ou cheque?

Você se lembra da sensação de receber uma carta de um parente ou amigo, daquelas que vem dentro de um envelope, com selo colado do lado de fora?

Você se lembra como era complicado fazer uma ligação telefônica internacional? Pedir para a telefonista, esperar minutos ou as vezes horas para que a ligação fosse completada? E ficar de olho no relógio enquanto falava pois o custo era astronômico?

Talvez você não perceba (ou nem tinha nascido) mas essa era a realidade há uns 40 ou 50 anos, mais ou menos. Não é tanto tempo assim.

As redes sociais ainda não tinham nascido.

Os celulares ainda não tinham sido inventados.

E-mail só era utilizado nas empresas.

Cartão de crédito era coisa rara, para poucos.

Tudo isso já faz parte do nosso presente e a gente nem se dá conta de como essas coisas foram entrando e tomando conta da nossa vida. A maioria de nós não consegue mais imaginar a vida sem internet, celular, e-mail e cartão de crédito.


Entre outras coisas, também sou tradutora. No mês passado, traduzi para o português a palestra da abertura da conferência anual da Google, onde eles apresentaram suas novidades.

Quando pensamos em Google, as primeiras coisas que vêm à mente são pesquisas na internet, celulares Android, anúncios que perseguem a gente em cada página que abrimos.

Confesso que fiquei admirada com a quantidade de outras coisas que ele estão fazendo.

No ano passado, o foco eram os dispositivos móveis. E, se pararmos para pensar, cada vez mais usamos o celular ou tablet para mais coisas. A cada dia surgem novos aplicativos para suprir necessidades que nem sabíamos que tínhamos.

Neste ano, o foco é outro. Inteligência Artificial, também conhecida como AI (Artificial Intelligence).

Inteligência Artificial

Resumindo bastante, a inteligência artificial faz com que sistemas informatizados possam reconhecer padrões e executar ações (quase como uma pessoa faria). Esses sistemas são alimentados com uma quantidade imensa de dados e treinados repetidas vezes para que possam identificar os tais padrões e prover respostas e/ou executar ações apropriadas.

Para que esses sistemas de AI possam funcionar, são necessários computadores extremamente poderosos para lidar com essa massa gigantesca de dados e processamento. E o Google construiu enormes centros de dados para isso.

Há quem associe a inteligência artificial a filmes futuristas do século passado como 2001 – Uma Odisseia no Espaço (lembra do HAL?) ou O Exterminador do Futuro 1 e 2 ( e a famosa frase do Schwarzenegger “hasta la vista, baby”) e acredite que logo os computadores vão dominar o mundo.

É verdade que a evolução tecnológica já acabou, ou está acabando, com muitas profissões – telefonistas, datilógrafas, ascensoristas, vários tipos de funções industriais que foram substituídas por robôs.

Mas nada disso tem a ver com a inteligência artificial.

Na palestra, foram apresentados vários exemplos de aplicação da inteligência artificial que não tem nada de destrutivos.

Aplicação na área médica

Um rapaz de 17 anos, estudante do ensino médio, filho de imigrantes afegãos, estudou AI sozinho e criou um sistema para analisar mamografias e criar padrões para identificar tumores que podem estar associados ao câncer de mama.

Em um outro vídeo que eu já tinha traduzido antes, a AI é utilizada para reconhecer padrões em imagens de exames de vista para identificar o surgimento da retinopatia diabética, uma doença que pode causar a perda de visão, e pode ser evitada por meio de uma identificação precoce.

Isso não quer dizer que os médicos vão perder seus empregos. Mas quantas imagens pode um médico analisar? Dezenas? Centenas? Um computador pode analisar milhões de imagens e identificar padrões e com isso facilitar o trabalho dos médicos.

Assistente

Uma outra aplicação da AI que foi apresentada na palestra, mais próxima do nosso dia a dia foi o Assistente do Google. Hoje a gente já pode falar “Ok, Google” para o celular e pedir para ele ligar para alguém, tocar música, fazer pesquisas na internet, acertar o alarme, marcar um compromisso na agenda, etc. De acordo com o que foi apresentado na palestra, em breve ele será capaz de ser muito mais responsivo e “conversar” conosco.

Lembrei disso hoje assistindo o filme Her (Ela, em português) que entrou há pouco no Netflix. Já viram? Sobre um homem que desenvolve uma relação com um sistema operacional que conversa com ele como se fosse uma pessoa. O Assistente do Google ainda não é capaz de conversar com a gente como a Samantha do filme, mas, talvez, daqui a alguns anos, isso também seja possível.

Realidade Virtual e Realidade Aumentada

Uma outra coisa que vi na palestra e que me deixou encantada foi o que estão fazendo com Realidade Virtual (RV) e Realidade Aumentada (RA).

Enquanto eu traduzia a parte sobre RV lembrei de outro filme futurista antigo, também com o Schwarzenegger, O Vingador do Futuro. Aquele em que ele faz uma viagem de férias virtual a Marte. Comecei a imaginar que poderíamos fazer turismo virtual, conhecer outros lugares, quase como se estivéssemos lá, sem precisar pegar um avião.

Pois é. Eles não demonstraram exatamente isso, mas com o estado atual da tecnologia, acredito que logo, logo, poderemos fazer essas viagens virtuais. Não seria legal poder colocar óculos de RV e “passear” por cidades que ainda não conhecemos, visitar museus, quase que sentir como se estivéssemos lá?

Eles demonstraram uma outra aplicação muito legal de RV em um projeto para escolas onde as crianças usam óculos de RV para aprender sobre fenômenos climáticos e funcionamento do corpo humano.

Isso me lembrou de outro filme de ficção científica, Viagem Insólita, onde um piloto de caça é miniaturizado e injetado por acidente no corpo de uma pessoa. Era para ser em um coelho, para estudo de técnicas cirúrgicas mas o filme é uma comédia.

Você pode não saber o que é Realidade Aumentada mas já deve ter ouvido falar no Pokemon GO, aquele joguinho em que as pessoas saíam pelas ruas caçando Pokemons e os bichinhos apareciam na tela do celular como se estivessem no mundo real.

Mas a RA não serve só para jogos. Um dos exemplos foi uma combinação de RA com um sistema que eles desenvolveram chamado VPS (Visual Positioning System) que é um tipo de GPS para ambientes internos. O que ele faz é mapear um ambiente interno, como uma loja gigantesca, por exemplo, e dar as coordenadas para você encontrar o que precisa no local exato.

Imagina as aplicações que isso pode ter para deficientes visuais!

Android Go

Já quase lá pelo final da palestra de quase duas horas, chegou a vez do Android, o sistema operacional da Google para celulares.

Enquanto as pessoas ficam discutindo qual o melhor celular, se o IPhone, o Samsung, o Motorola, ou qualquer outra marca e os fabricantes lançam modelos cada vez mais modernos e caros e não têm mais o que inventar para a versão seguinte, a Google vai em outra direção e quer que mais pessoas possam ter um celular.

Aí você pode pensar “Mas quem ainda não tem um celular?”. Muita gente pobre, tanto aqui no Brasil (nosso país foi mencionado mais de uma vez) quanto em outros países como a Índia, por exemplo, não têm condições financeiras para ter um celular. Se você acha que a sua conexão à internet é ruim, há lugares em que é muito pior.

Então, a partir da próxima versão, o Android terá uma versão light, o Go para funcionar em celulares bem básicos e baratos, em lugares com conexão à internet bem precária.

O que a Google ganha com isso? Quanto mais pessoas tiverem celulares, mais dados a Google terá para alimentar e treinar seus sistemas de inteligência artificial.

É óbvio que muita gente acha ruim que as empresas de tecnologia como a Google, o Facebook e outras saibam tanto de nossas vidas por meio das nossas interações na internet. Sabem onde estamos, o que gostamos e não gostamos, o que compramos, o que queremos comprar.

Em contra-partida, temos todas essas facilidades que fazem com que não possamos mais imaginar a vida sem celular e internet.

Hoje, olhamos para os últimos 50 anos e vemos quanta coisa mudou.

Como será daqui há 50 anos quando a inteligência artificial, a realidade virtual, a realidade aumentada e outras tecnologias estarão tão inseridas nas nossas vidas que não poderemos nem imaginar como era viver de outra forma?

Provavelmente, não estarei mais por aqui neste mundo daqui a 50 anos. Mas quem sabe? Já assisti vários filmes de ficção científica com histórias onde a consciência de uma pessoa pode ser transferida para um computador ou um androide.

Quem sabe o que haverá de fato no futuro?


Há muito mais novidades além dessas que eu mencionei. Se você tiver interesse em assistir, o vídeo está aí embaixo. Para ativar as legendas em português, basta clicar no ícone de engrenagem no canto inferior direito e selecionar o idioma. Apesar de a conferência anual ser um evento mais voltado para profissionais do ramo, a palestra de abertura não é muito técnica, na sua maior parte.

Se você quiser assistir apenas as partes que mencionei pode avançar o vídeo direto:
1:29:37 Android Go
1:37:37 Realidade Virtual e Realidade Aumentada
1:42:55 RA e VPS
1:45:20 RV nas escolas
1:48:36 Aplicação médica para identificação de tumores

Outras partes interessantes:
35:38 Google Home e Google Assistant
42:40 Google Photos

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